Por André Debevc
nina simone canta
o carro preto acelera
um dia cinza
de asfalto molhado
e o coração seco
rachando os lábios
de cem tipos de silêncio.
o limpador vai e vem.
eu não vou,
você não vem.
mas uma saudade nem sei bem do que,
idiota, me fez pensar na gente.
sexta-feira, junho 29, 2007
Eu só sei
Por André Debevc
Eu não sei como eu sei. Só olho pra você e sei. E se continuar me olhando com essa cara de interrogação, vou ter que te responder com um beijo.
Eu não sei como eu sei. Só olho pra você e sei. E se continuar me olhando com essa cara de interrogação, vou ter que te responder com um beijo.
Jogado às leoas
Por André Debevc
Tonto e sangrando ainda pude ver
meu coração arrancado, pulsando na sua mão direita
quando aquela porta se fechou pra sempre.
Nos seus olhos,
a indiferença pensou em se esconder
mas percebeu que não ia dar tempo.
Foi a última vez que te vi.
tínhamos acabado de ser separados...
Mal tínhamos deixado o sábado
e agora era só uma questão de tempo
pra virem devorar o que sobrou de mim.
Eu estava de novo jogado às leoas.
Logo eu que criei uma religião,
com uma deusa falível, eu sei.
Logo eu que fiz do nosso amor uma nação,
com bandeira, hino e tudo,
logo eu acabei ali, deixado pra morrer sozinho.
Agora você se embriaga com sua trupe e sua liberdade
e eu engasgo na saudade um estranho desejo de nunca mais saber de você.
Tomara que as leoas me devorem,
quem sabe elas conseguem acabar o trabalho que você começou,
tomara que não sobre um pedaço de mim pra contar história.
Acabem logo com isso, me destrocem,
porque os dias têm sido cruéis demais
e não suporto mais esse coquetel de agonia e indiferença.
Você nem ficou pra ver seu estrago, menina.
Já tinha até esquecido que você só fica mesmo com o que precisa...
Jogado de um lado pro outro, entre mordidas e arranhões,
lembro que vou acordar intranqüilo e pensando em você. Dane-se.
O que dói mesmo nem é acordar com o mesmo buraco,
o que dói é lembrar que acreditei que fossemos um time,
que fossemos filhos da lua,
que achei que éramos mesmo um só
antes de até Zeus ficar com medo do nosso amor.
Tonto e sangrando ainda pude ver
meu coração arrancado, pulsando na sua mão direita
quando aquela porta se fechou pra sempre.
Nos seus olhos,
a indiferença pensou em se esconder
mas percebeu que não ia dar tempo.
Foi a última vez que te vi.
tínhamos acabado de ser separados...
Mal tínhamos deixado o sábado
e agora era só uma questão de tempo
pra virem devorar o que sobrou de mim.
Eu estava de novo jogado às leoas.
Logo eu que criei uma religião,
com uma deusa falível, eu sei.
Logo eu que fiz do nosso amor uma nação,
com bandeira, hino e tudo,
logo eu acabei ali, deixado pra morrer sozinho.
Agora você se embriaga com sua trupe e sua liberdade
e eu engasgo na saudade um estranho desejo de nunca mais saber de você.
Tomara que as leoas me devorem,
quem sabe elas conseguem acabar o trabalho que você começou,
tomara que não sobre um pedaço de mim pra contar história.
Acabem logo com isso, me destrocem,
porque os dias têm sido cruéis demais
e não suporto mais esse coquetel de agonia e indiferença.
Você nem ficou pra ver seu estrago, menina.
Já tinha até esquecido que você só fica mesmo com o que precisa...
Jogado de um lado pro outro, entre mordidas e arranhões,
lembro que vou acordar intranqüilo e pensando em você. Dane-se.
O que dói mesmo nem é acordar com o mesmo buraco,
o que dói é lembrar que acreditei que fossemos um time,
que fossemos filhos da lua,
que achei que éramos mesmo um só
antes de até Zeus ficar com medo do nosso amor.
Codinome
Por André Debevc
te peço um codinome
pra te beijar em outro universo,
pra confessar o meu carinho
e ficar um pouquinho mais perto de você.
só te peço
um nome secreto
pra te libertar de tudo que nos impossibilita.
um segredo só nosso,
inofensivo e paralelo
que me deixe te pegar pela mão
e te mostrar uns versos e universos
onde você sorri mais perto
e me beija bem devagarinho
te peço um codinome
porque não posso te agarrar nem um pouquinho.
te peço um codinome
pra te beijar em outro universo,
pra confessar o meu carinho
e ficar um pouquinho mais perto de você.
só te peço
um nome secreto
pra te libertar de tudo que nos impossibilita.
um segredo só nosso,
inofensivo e paralelo
que me deixe te pegar pela mão
e te mostrar uns versos e universos
onde você sorri mais perto
e me beija bem devagarinho
te peço um codinome
porque não posso te agarrar nem um pouquinho.
Seu futuro ex
Por André Debevc
Com o ar mais despreocupado do mundo ele vaga pelo universo. Três ou quatro respostas prontas no bolso costurado pela mãe, ele domina seis sorrisos diferentes fingindo não estar nem aí. Ele sabe que tem mais que merece, ele está ciente que é coisa de outra encarnação, mil karmas a seu favor, sei lá...mas ele também sabe que o relógio anda pra trás, subtrai momentos, reduz segundos, decepando lembranças de quando você sentia o vento da praia na cara, filtro solar 60 e seja o que deus quiser. Ele finge que não, mas sabe sem saber exatamente como que você e ele um dia vão ter um fim.
E aí sem saber bem porque, em alguns dias lindos ele amanhece ciumento e intranqüilo, como quem despenca do centésimo andar, como quem pisa apressado cercado de minas e incertezas. É um homem povoado de sombras futuras, do que ele viveu um dia, do que aconteceu e foi embora. O dia que raiou, inevitável e silencioso como a promessa de que tudo é passageiro. E ele coça a cueca no caminho do banheiro, e ele boceja no caminho da cozinha. Alguma hora tudo passa, ele pensa. Alguma hora a festa acaba. Aqueles olhos, aqueles traços finos e convidativos nos lábios inferiores, aquela cintura fina e os horizontes eternos em seus olhos...aquilo tudo tinha mesmo que se pôr, como o sol que morre fugindo do leblon e do pontal, como tudo que é prometido só com um quarto de vontade.
É um sujeito que já pensa muito menos nos seus olhos castanhos, seus dentes ordenados. Acabar é inevitável, ele sabe. Mas ele finge que não sabe. Ele tem oitocentas desculpas, e ele pede a ajuda do tempo, da família, de qualquer coisa que arraste a ilusão de vencer. Ele sabe que os dias estão desabando em cima dele feito uma onda de três mil metros, ele sabe que vai ser vencido. Às vezes ele se pega pensando nos seus olhos fitando outra boca, nas suas costelas se aninhando em outras mãos, sem promessas, sem viagens. Só com muito mais vontade de descobrir seu gosto, de decorar sua cor favorita, seu jeito de dizer que não, seu meio sorriso de olhar fugindo dizendo que sim. Ele anda falsamente despreocupado por aí.
Ele vaga acelerando pelas avenidas sem lembrar que seu sorriso merece mais, que seu peito acelerado não tem preço em moedas, e custa letras gestos e reticências. Ele quase não olha pros lados antes de furar o sinal e não lembrar que o suspense do que é novo fita sarcástico o primeiro beijo quente e mil vezes pensado. Olhos que se driblam enquanto as bocas ansiosas se mordem em câmera lenta. Peito descompassado, minha mão abraça sua cintura, traz sua coluna e arqueia suas costelas. Te quero inteira numa só rendição em suspiros mordendo minha orelha. Dizendo que há milênios eu tinha – mesmo calado – razão.
O beijo era esse. O cheiro era esse. O calor que te tira do sério era esse. Você dançando comigo entre mil pessoas, e esquecendo do mundo, me concedendo seu universo quente, se explodindo em milhares pra sempre. Seu sorriso na manhã seguinte como você nunca teve antes, seus olhos raiando pérolas e diamantes de acordar com, finalmente, o homem certo. Ah...nossa cumplicidade, nosso beijo. O beijo diz tudo. O fim sorrindo safado, prometendo futuros e planos. Ele nem desconfia. Ele nunca me viu. Eu te encosto meio sem querer e sorrio.
Eu te abraço e gargalho. Respiro fundo pra prender o que posso de você. O relance dos olhos. A sala repleta de desatenções e a gente se encontra. Sei sua mão nas minhas costas, te encho de olhos no descaminho do café. Nunca tomei tanto café...nunca fingi tanto não ver alguém.
Ah se ele soubesse. Vidas paralelas de quem há tempos não te quer como eu te quero. Universo estranho de quem, diferente de mim encontra seu cheiro em qualquer virada do lençol. Ele anda por aí com um ar mais reticente do mundo. E eu só queria ter certeza do que você não gosta de comer, de quando você nunca bebe e do quanto antes de dormir existe uma chance de você pensar em mim. Ele vaga por aí com o ar mais despreocupado do mundo. Seu futuro ex. Um cargo que já ocupei. Com outras mulheres, em outras histórias. E que agora quero viver com você.
Com o ar mais despreocupado do mundo ele vaga pelo universo. Três ou quatro respostas prontas no bolso costurado pela mãe, ele domina seis sorrisos diferentes fingindo não estar nem aí. Ele sabe que tem mais que merece, ele está ciente que é coisa de outra encarnação, mil karmas a seu favor, sei lá...mas ele também sabe que o relógio anda pra trás, subtrai momentos, reduz segundos, decepando lembranças de quando você sentia o vento da praia na cara, filtro solar 60 e seja o que deus quiser. Ele finge que não, mas sabe sem saber exatamente como que você e ele um dia vão ter um fim.
E aí sem saber bem porque, em alguns dias lindos ele amanhece ciumento e intranqüilo, como quem despenca do centésimo andar, como quem pisa apressado cercado de minas e incertezas. É um homem povoado de sombras futuras, do que ele viveu um dia, do que aconteceu e foi embora. O dia que raiou, inevitável e silencioso como a promessa de que tudo é passageiro. E ele coça a cueca no caminho do banheiro, e ele boceja no caminho da cozinha. Alguma hora tudo passa, ele pensa. Alguma hora a festa acaba. Aqueles olhos, aqueles traços finos e convidativos nos lábios inferiores, aquela cintura fina e os horizontes eternos em seus olhos...aquilo tudo tinha mesmo que se pôr, como o sol que morre fugindo do leblon e do pontal, como tudo que é prometido só com um quarto de vontade.
É um sujeito que já pensa muito menos nos seus olhos castanhos, seus dentes ordenados. Acabar é inevitável, ele sabe. Mas ele finge que não sabe. Ele tem oitocentas desculpas, e ele pede a ajuda do tempo, da família, de qualquer coisa que arraste a ilusão de vencer. Ele sabe que os dias estão desabando em cima dele feito uma onda de três mil metros, ele sabe que vai ser vencido. Às vezes ele se pega pensando nos seus olhos fitando outra boca, nas suas costelas se aninhando em outras mãos, sem promessas, sem viagens. Só com muito mais vontade de descobrir seu gosto, de decorar sua cor favorita, seu jeito de dizer que não, seu meio sorriso de olhar fugindo dizendo que sim. Ele anda falsamente despreocupado por aí.
Ele vaga acelerando pelas avenidas sem lembrar que seu sorriso merece mais, que seu peito acelerado não tem preço em moedas, e custa letras gestos e reticências. Ele quase não olha pros lados antes de furar o sinal e não lembrar que o suspense do que é novo fita sarcástico o primeiro beijo quente e mil vezes pensado. Olhos que se driblam enquanto as bocas ansiosas se mordem em câmera lenta. Peito descompassado, minha mão abraça sua cintura, traz sua coluna e arqueia suas costelas. Te quero inteira numa só rendição em suspiros mordendo minha orelha. Dizendo que há milênios eu tinha – mesmo calado – razão.
O beijo era esse. O cheiro era esse. O calor que te tira do sério era esse. Você dançando comigo entre mil pessoas, e esquecendo do mundo, me concedendo seu universo quente, se explodindo em milhares pra sempre. Seu sorriso na manhã seguinte como você nunca teve antes, seus olhos raiando pérolas e diamantes de acordar com, finalmente, o homem certo. Ah...nossa cumplicidade, nosso beijo. O beijo diz tudo. O fim sorrindo safado, prometendo futuros e planos. Ele nem desconfia. Ele nunca me viu. Eu te encosto meio sem querer e sorrio.
Eu te abraço e gargalho. Respiro fundo pra prender o que posso de você. O relance dos olhos. A sala repleta de desatenções e a gente se encontra. Sei sua mão nas minhas costas, te encho de olhos no descaminho do café. Nunca tomei tanto café...nunca fingi tanto não ver alguém.
Ah se ele soubesse. Vidas paralelas de quem há tempos não te quer como eu te quero. Universo estranho de quem, diferente de mim encontra seu cheiro em qualquer virada do lençol. Ele anda por aí com um ar mais reticente do mundo. E eu só queria ter certeza do que você não gosta de comer, de quando você nunca bebe e do quanto antes de dormir existe uma chance de você pensar em mim. Ele vaga por aí com o ar mais despreocupado do mundo. Seu futuro ex. Um cargo que já ocupei. Com outras mulheres, em outras histórias. E que agora quero viver com você.
quinta-feira, junho 21, 2007
Saídas Sumidas
Por André Debevc
quero afastá-la de mim mas me falta força,
quero agarrá-la para um beijo mas me falta coragem.
tenho sorrisos, palavras, tenho abraços curtos e algumas piadas,
tenho, talvez, até um bolso cheio de boas intenções...
só não tenho uma saída,
só me falta uma mísera saída heróica e real
para cada vez que a gente fica perto o suficiente para arriscar alguma coisa.
quero afastá-la de mim mas me falta força,
quero agarrá-la para um beijo mas me falta coragem.
tenho sorrisos, palavras, tenho abraços curtos e algumas piadas,
tenho, talvez, até um bolso cheio de boas intenções...
só não tenho uma saída,
só me falta uma mísera saída heróica e real
para cada vez que a gente fica perto o suficiente para arriscar alguma coisa.
Lembrança Latente
Por André Debevc
penso em você mais do que devia
penso em você mais que podia
penso em você muito mais do que gostaria
se esqueço e penso pouco
só acontece umas vezes todo dia
somos pretérito imperfeito
e meu peito ainda conjuga você no presente,
mesmo quando não há mais “a gente”.
sei que penso em você...
já não deveria.
penso em você mais do que devia
penso em você mais que podia
penso em você muito mais do que gostaria
se esqueço e penso pouco
só acontece umas vezes todo dia
somos pretérito imperfeito
e meu peito ainda conjuga você no presente,
mesmo quando não há mais “a gente”.
sei que penso em você...
já não deveria.
Cometa Paralelo
Por André Debevc
com meia dúzia de palavras te deixo completamente nua.
e não importa a avenida,
e não faz diferença a multidão letárgica...
te dispo de tudo sem nenhum receio,
e você morde o lábio inferior devagarzinho,
você desvia os olhos catando no chão alguma coisa pra cobrir sua alma.
é uma mulher sem palavras de efeito ou planos de fuga
o rosto ficando rosa, pupilas dilatadas
um riso nervoso
e o coração batendo na garganta
a falta de uma boa desculpa para correr dali sem olhar para trás.
somos um momento exclusivo onde o resto do mundo não palpita,
e tudo que você quer é que um carro buzine
que um celular toque
que alguma coisa no sistema solar te desvie
antes que você beije a minha boca
antes que você entre sem volta no meu campo de gravidade
e jogue toda essa sua normalidade pro espaço.
mas o ponteiro dos segundos acorda e pula,
a lucidez veste covardia
e balbucia alguma coisa ininteligível no seu ouvido.
o universo lembra o próprio destino e volta a se expandir
agora com um beijo suspenso
ricocheteando em galáxias distantes
passando feito cometa no céu de um lugar paralelo
onde te deixo nua e louca por mim
sem precisar de uma só sílaba.
com meia dúzia de palavras te deixo completamente nua.
e não importa a avenida,
e não faz diferença a multidão letárgica...
te dispo de tudo sem nenhum receio,
e você morde o lábio inferior devagarzinho,
você desvia os olhos catando no chão alguma coisa pra cobrir sua alma.
é uma mulher sem palavras de efeito ou planos de fuga
o rosto ficando rosa, pupilas dilatadas
um riso nervoso
e o coração batendo na garganta
a falta de uma boa desculpa para correr dali sem olhar para trás.
somos um momento exclusivo onde o resto do mundo não palpita,
e tudo que você quer é que um carro buzine
que um celular toque
que alguma coisa no sistema solar te desvie
antes que você beije a minha boca
antes que você entre sem volta no meu campo de gravidade
e jogue toda essa sua normalidade pro espaço.
mas o ponteiro dos segundos acorda e pula,
a lucidez veste covardia
e balbucia alguma coisa ininteligível no seu ouvido.
o universo lembra o próprio destino e volta a se expandir
agora com um beijo suspenso
ricocheteando em galáxias distantes
passando feito cometa no céu de um lugar paralelo
onde te deixo nua e louca por mim
sem precisar de uma só sílaba.
sexta-feira, junho 15, 2007
Festa Junina
Por André Debevc
Quis rasgar todas as fotos deles juntos para fazer uma fogueira. Mudou de idéia. Qual a graça de ver um cartão de memória arder no fogo?
Quis rasgar todas as fotos deles juntos para fazer uma fogueira. Mudou de idéia. Qual a graça de ver um cartão de memória arder no fogo?
Louco Pelo Seu Beijo
Por André Debevc
Acordei com uma vontade louca de beijar você. Te encher de beijos curtos, depois perder um tempo quase absurdo com beijos longos, mas antes quem sabe, te ver dormir um pouco no quarto ainda com preguiça da luz da manhã que se arrasta blasé por entre as persianas. Você em paz ali, só de calcinha e camiseta velha, descansando assim de ladinho com a boca meio aberta e um sonho feliz na cabeça. Acordei com vontade de viver um dia pra te ver se espreguiçando ainda dengosa e me mandando um beijo e um com sorriso antes de me dar bom dia. Um daqueles dias perfeitos pra te ver andando descalça pela casa com os cabelos soltos e um copo com nescau demais na mão. Te ver folheando qualquer revista, pulando em cima de mim quando eu me distrair e me enchendo de ordens e beijos com seu bom humor sarcástico. Um dia pra gente ficar junto sem precisar resolver nada. Um dia pra ficar de bobeira, com um tempinho no sol talvez. Você com a mão na minha perna – que você tanto ama – e eu atento como um felino, revistando com os olhos e a alma o seu corpo pra me apaixonar de vez por qualquer detalhe que te defina, como uma pinta, uma cicatriz ou quem sabe até uma celulite. Acordei morrendo de vontade de olhar dentro dos seus olhos, de sentir o seu calor, de visitar cada traço dos seus lábios e beber do cheiro que só você tem no colo e nuca. Ah, que vontade de te puxar mais perto, te segurar daquele jeito que você adora porque te deixa louca e te faz ter certeza de que você é minha. Levantei da cama hoje pra sentir a parte mais quentinha da suas coxas e ser surpreendido pelo seu lado mais safado. Quero andar de mãos dadas até que o mundo todo feche e sorrir em silêncio no caminho de casa quando você cair no sono no carro. Acordei com uma vontade imensa de ter você pulando em cima de mim, me dizendo o quanto você me ama, me perguntando se sei o quanto eu sou sortudo e prometendo que a gente vai ficar junto pra sempre. Saudade de você, moça. Saudade de viver eu e você. O problema é que eu ainda não sei seu nome, não conheço seu rosto e nem quem você. Mas sei que a gente vai se encontrar em breve. Está escrito há três mil anos como dizia Nélson Rodrigues. Aí não se assuste se eu te perguntar: - será que eu já falei que acordei louco pra te dar um beijo?
Acordei com uma vontade louca de beijar você. Te encher de beijos curtos, depois perder um tempo quase absurdo com beijos longos, mas antes quem sabe, te ver dormir um pouco no quarto ainda com preguiça da luz da manhã que se arrasta blasé por entre as persianas. Você em paz ali, só de calcinha e camiseta velha, descansando assim de ladinho com a boca meio aberta e um sonho feliz na cabeça. Acordei com vontade de viver um dia pra te ver se espreguiçando ainda dengosa e me mandando um beijo e um com sorriso antes de me dar bom dia. Um daqueles dias perfeitos pra te ver andando descalça pela casa com os cabelos soltos e um copo com nescau demais na mão. Te ver folheando qualquer revista, pulando em cima de mim quando eu me distrair e me enchendo de ordens e beijos com seu bom humor sarcástico. Um dia pra gente ficar junto sem precisar resolver nada. Um dia pra ficar de bobeira, com um tempinho no sol talvez. Você com a mão na minha perna – que você tanto ama – e eu atento como um felino, revistando com os olhos e a alma o seu corpo pra me apaixonar de vez por qualquer detalhe que te defina, como uma pinta, uma cicatriz ou quem sabe até uma celulite. Acordei morrendo de vontade de olhar dentro dos seus olhos, de sentir o seu calor, de visitar cada traço dos seus lábios e beber do cheiro que só você tem no colo e nuca. Ah, que vontade de te puxar mais perto, te segurar daquele jeito que você adora porque te deixa louca e te faz ter certeza de que você é minha. Levantei da cama hoje pra sentir a parte mais quentinha da suas coxas e ser surpreendido pelo seu lado mais safado. Quero andar de mãos dadas até que o mundo todo feche e sorrir em silêncio no caminho de casa quando você cair no sono no carro. Acordei com uma vontade imensa de ter você pulando em cima de mim, me dizendo o quanto você me ama, me perguntando se sei o quanto eu sou sortudo e prometendo que a gente vai ficar junto pra sempre. Saudade de você, moça. Saudade de viver eu e você. O problema é que eu ainda não sei seu nome, não conheço seu rosto e nem quem você. Mas sei que a gente vai se encontrar em breve. Está escrito há três mil anos como dizia Nélson Rodrigues. Aí não se assuste se eu te perguntar: - será que eu já falei que acordei louco pra te dar um beijo?
Sem Velhas Traições
Por André Debevc
Ando cansado. Das mulheres erradas, das noites vazias, das madrugadas caras e crepúsculos ébrios. Cansado de abordagens planejadas, da caça sem recompensa ou sorriso no dia seguinte, do telefone sem rosto anotado no celular. Da intenção escancarada antes mesmo de sair de casa. Ando cansado de falar da boca pra fora, de não querer fazer força ou ter alguém pra pedir pra ficar. Ando esvaziado, de motivos pra passar a noite e acordar acompanhado, de sorriso no espelho e de histórias que não tenham deixado algum tipo de decepção ou mágoa. E quando debruço os olhos abatidos sobre a metrópole, encontro um reflexo cinza e triste. Sou eu voltando pra casa no meu corcel negro, imerso em insulfilme e músicas do Dashboard Confessionals. Silêncio na alma, buraco assombrado no peito e luzes azuis do painel refletida nos olhos. Vida que segue com esse maldito cheiro de cigarro na roupa. E no lugar que ficava o coração, uma vontade imensa de amar e nunca me trair de novo.
Ando cansado. Das mulheres erradas, das noites vazias, das madrugadas caras e crepúsculos ébrios. Cansado de abordagens planejadas, da caça sem recompensa ou sorriso no dia seguinte, do telefone sem rosto anotado no celular. Da intenção escancarada antes mesmo de sair de casa. Ando cansado de falar da boca pra fora, de não querer fazer força ou ter alguém pra pedir pra ficar. Ando esvaziado, de motivos pra passar a noite e acordar acompanhado, de sorriso no espelho e de histórias que não tenham deixado algum tipo de decepção ou mágoa. E quando debruço os olhos abatidos sobre a metrópole, encontro um reflexo cinza e triste. Sou eu voltando pra casa no meu corcel negro, imerso em insulfilme e músicas do Dashboard Confessionals. Silêncio na alma, buraco assombrado no peito e luzes azuis do painel refletida nos olhos. Vida que segue com esse maldito cheiro de cigarro na roupa. E no lugar que ficava o coração, uma vontade imensa de amar e nunca me trair de novo.
terça-feira, maio 29, 2007
Palavras reféns e beijos também
Por André Debevc
do outro lado da sala ela só precisa de um sorriso
para sequestrar todas as minhas palavras
aí desvio os olhos
engulo seco
finjo entregar minha atenção a qualquer outra coisa
na tentativa de resgatar um pouco da razão
que caiu no chão junto com o coração
segundos antes
e conto até dez
quando consigo lembrar dos números,
e respiro fundo retribuindo o sorriso
escondendo toda minha sinceridade
por trás da minha simpatia inofensiva
e aí do outro lado da sala ela ajeita o cabelo
e me olha assim de lado
e dá de novo, quase em camera lenta, um só sorriso
e eu que já nem tinha achado as minhas palavras
passo a não pensar em mais nada,
só em beijos que acho que nunca vou poder dar
do outro lado da sala ela só precisa de um sorriso
para sequestrar todas as minhas palavras
aí desvio os olhos
engulo seco
finjo entregar minha atenção a qualquer outra coisa
na tentativa de resgatar um pouco da razão
que caiu no chão junto com o coração
segundos antes
e conto até dez
quando consigo lembrar dos números,
e respiro fundo retribuindo o sorriso
escondendo toda minha sinceridade
por trás da minha simpatia inofensiva
e aí do outro lado da sala ela ajeita o cabelo
e me olha assim de lado
e dá de novo, quase em camera lenta, um só sorriso
e eu que já nem tinha achado as minhas palavras
passo a não pensar em mais nada,
só em beijos que acho que nunca vou poder dar
terça-feira, maio 22, 2007
Estranho Isso
Por André Debevc
Estranho isso de sentir saudade da noite ainda não dormida. Da viagem que nunca foi feita. Do jogo nunca visto. Do milésimo beijo que nunca foi dado. Das mãos se achando no escuro do filme não assistido. Da discussão nunca tida. Do presente jamais recebido. Estranho isso de sentir falta da declaração de amor que nunca foi feita. De um dia perceber o coração batendo mais rápido. Do olhar de cumplicidade ainda sem data pra nascer. Da ligação nunca discada. Da entrega total e feliz de corpo e alma. Estranho isso de estranhar o silêncio online. Os dedos hesitantes no teclado e a bocas que se procuraram tão menos no último encontro. Chato mesmo é isso: de sentir saudade de você e da idéia de tudo que poderíamos ter sido.
Estranho isso de sentir saudade da noite ainda não dormida. Da viagem que nunca foi feita. Do jogo nunca visto. Do milésimo beijo que nunca foi dado. Das mãos se achando no escuro do filme não assistido. Da discussão nunca tida. Do presente jamais recebido. Estranho isso de sentir falta da declaração de amor que nunca foi feita. De um dia perceber o coração batendo mais rápido. Do olhar de cumplicidade ainda sem data pra nascer. Da ligação nunca discada. Da entrega total e feliz de corpo e alma. Estranho isso de estranhar o silêncio online. Os dedos hesitantes no teclado e a bocas que se procuraram tão menos no último encontro. Chato mesmo é isso: de sentir saudade de você e da idéia de tudo que poderíamos ter sido.
terça-feira, maio 15, 2007
Uma vida sem troféus (em 150 toques)
Por André Debevc
Desejava-a intensamente como tudo. Menos troféu. Tivesse uma noite – e não a eternidade - usaria a casa toda com ela. Tirando a estante, claro.
Desejava-a intensamente como tudo. Menos troféu. Tivesse uma noite – e não a eternidade - usaria a casa toda com ela. Tirando a estante, claro.
quarta-feira, maio 09, 2007
Meias sílabas perdidas
Por André Debevc
Meias sílabas ricocheteiam pelo quarto ainda zonzas procurando suas respectivas metades sem saber que horas do dia já são. Ensaios de fachos de uma luz difusa, onde a poeira dança sem pagar ingresso pelo show, invadem o ambiente pela persiana esquecida pelos anos. Talvez seja o sol, pode ser que seja apenas o neon de alguma espelunca qualquer aí em frente, mas quem se importa. Almas vestidas de suor e tesão convocam todos os sentidos pra melhor das batalhas: a que se dorme, acorda e se enrosca no inimigo. Uma dança carnal onde só descansamos recuperando o ar quando quem vence, às vezes, é o cansaço. Maratona de pernas, saliva, horas e dois vencedores. Você me engole sorrindo, me entrega todos os lábios arquejos e penugens que já pensou ter. Testa a resistência das suas pernas, nossa elasticidade, a minha força. E continuamos sem desperdício ou reticência. Um ritmo desritmado, alterando tudo pra que não percamos nada. O calor dos seus beijos, a alegria mais do que morna que escorre pelas suas pernas. Nossos cheiros e sucos inundando o colchão surrado sobre a cama que range e bate todos os pés, morrendo de inveja das paredes, móveis e dos nossos improvisos. Estamos em todos os lugares, de todos os jeitos. Seus dentes no meu ombro, minha língua passeando milhões de vezes pelos seus peitos. Olhos que se cruzam, sorrisos quase sem ar que se reconhecem e se revelam em milímetros de segundo de distância. Mais beijos, mais línguas. Ah, quantas línguas. Fico louco quando você me mordisca a orelha e te agarro pelos cabelos ali pouco acima da nuca. Quero mais é beber desse seu suor ofegante. E entre espásmos e ordens você até tenta me render umas duas ou três sílabas, mas tudo que espoca da sua boca são letras soltas, agarradas umas nas outras, fundidas num só som ininteligível. O ar que você expulsa, sua meia tentativa de pausa olhos fechados e o seu ventre vibrando em quase contrações. Me aperta forte, vai. Me aperta. Fecho os olhos pra poder ir mais fundo, agora já não tem volta. Pede mais, pede. Me dá a mesma ordem mil vezes sem uma palavra. Vamos juntos. Me aperta mão, me arranha as costas, me trava dentro de você até o fim. Agora explode, arqueja, perde a noção de tudo por bem mais que o espaço de milhões de hífens. Morde os lábios. Respira. Sorri. Respira um pouco mais. Fecha os olhos. Me abraça e, ao invés de outra meia sílaba órfã de metade, me diz que ainda é só o começo.
Meias sílabas ricocheteiam pelo quarto ainda zonzas procurando suas respectivas metades sem saber que horas do dia já são. Ensaios de fachos de uma luz difusa, onde a poeira dança sem pagar ingresso pelo show, invadem o ambiente pela persiana esquecida pelos anos. Talvez seja o sol, pode ser que seja apenas o neon de alguma espelunca qualquer aí em frente, mas quem se importa. Almas vestidas de suor e tesão convocam todos os sentidos pra melhor das batalhas: a que se dorme, acorda e se enrosca no inimigo. Uma dança carnal onde só descansamos recuperando o ar quando quem vence, às vezes, é o cansaço. Maratona de pernas, saliva, horas e dois vencedores. Você me engole sorrindo, me entrega todos os lábios arquejos e penugens que já pensou ter. Testa a resistência das suas pernas, nossa elasticidade, a minha força. E continuamos sem desperdício ou reticência. Um ritmo desritmado, alterando tudo pra que não percamos nada. O calor dos seus beijos, a alegria mais do que morna que escorre pelas suas pernas. Nossos cheiros e sucos inundando o colchão surrado sobre a cama que range e bate todos os pés, morrendo de inveja das paredes, móveis e dos nossos improvisos. Estamos em todos os lugares, de todos os jeitos. Seus dentes no meu ombro, minha língua passeando milhões de vezes pelos seus peitos. Olhos que se cruzam, sorrisos quase sem ar que se reconhecem e se revelam em milímetros de segundo de distância. Mais beijos, mais línguas. Ah, quantas línguas. Fico louco quando você me mordisca a orelha e te agarro pelos cabelos ali pouco acima da nuca. Quero mais é beber desse seu suor ofegante. E entre espásmos e ordens você até tenta me render umas duas ou três sílabas, mas tudo que espoca da sua boca são letras soltas, agarradas umas nas outras, fundidas num só som ininteligível. O ar que você expulsa, sua meia tentativa de pausa olhos fechados e o seu ventre vibrando em quase contrações. Me aperta forte, vai. Me aperta. Fecho os olhos pra poder ir mais fundo, agora já não tem volta. Pede mais, pede. Me dá a mesma ordem mil vezes sem uma palavra. Vamos juntos. Me aperta mão, me arranha as costas, me trava dentro de você até o fim. Agora explode, arqueja, perde a noção de tudo por bem mais que o espaço de milhões de hífens. Morde os lábios. Respira. Sorri. Respira um pouco mais. Fecha os olhos. Me abraça e, ao invés de outra meia sílaba órfã de metade, me diz que ainda é só o começo.
Quarto Amarelo
Por André Debevc
no teu quarto amarelo
tuas coxas perfeitas
querem me deixar vermelho,
mas roxo de desejo
nada vejo quando te puxo
te trago te beijo desviando fácil
o último pano que te cobre
e é quando você se abre
me aperta me sobe,
recebe e consome
e no teu quarto amarelo,
você arfante eu mais que quente,
nos cravamos os dentes entre espásmos
e você de repente aperta o laço
que me dá com as coxas
jogando meus sentidos pra longe,
pra onde sua calcinha branca
deita molhada e torta
desde o seu primeiro sorriso
quando entrei mal intencionado e duro
por aquela porta que nem nos incomodamos em fechar.
no teu quarto amarelo
tuas coxas perfeitas
querem me deixar vermelho,
mas roxo de desejo
nada vejo quando te puxo
te trago te beijo desviando fácil
o último pano que te cobre
e é quando você se abre
me aperta me sobe,
recebe e consome
e no teu quarto amarelo,
você arfante eu mais que quente,
nos cravamos os dentes entre espásmos
e você de repente aperta o laço
que me dá com as coxas
jogando meus sentidos pra longe,
pra onde sua calcinha branca
deita molhada e torta
desde o seu primeiro sorriso
quando entrei mal intencionado e duro
por aquela porta que nem nos incomodamos em fechar.
quinta-feira, maio 03, 2007
Inocência zero
Por André Debevc
Finjo bem na minha cordialidade mansa, de cumprimentos sem maiores contatos, mas com você eu não tenho um pensamento puro. Nem um pra contar história e fingir que sou esse cara bonzinho que algumas línguas nem tão más assim queriam espalhar por aí, só pra acabar de vez com minha reputação. Zero. Nada. É só você atravessar meu caminho sorrindo com a boca, ou com os olhos, que partimos para uma dimensão onde todo mundo some e só sobramos nós. Nós e cada vez menos roupa - que só não some por completo pra podermos ter o que puxar e agarrar frenéticos entre amassos e segundos educados com alguma pretensão de hesitação, logo esquecida, quando a temperatura sobe pra valer. Nesta nossa dimensão não existe nada nem ninguém que nos impeça de qualquer coisa. Te beijo, você me morde. Te derreto na boca e você só pede mais. Rasgamos a noite e atravessamos o dia feito dois animais. Frações de segundo na tarde que cai. Carne e química. Cheiro e pólvora. Inconsequência e impossibilidade. Curvas pêlos cheiros e fluídos proibidos aqui na terra de agora que se encontram e reagem incandescentes quando a gente se encontra quando te vejo passar. Imagino seu outro lado que nesse mundo ninguém conhece. Desvendo a força das suas coxas, o calor de seus contornos e a embriaguez de seus lábios. Rendo minhas orelhas pros seus sussurros, ordens e mordidas.
Com você eu não tenho nenhum pensamento puro. E de algum jeito quando nossos olhos se cruzam, sei que você sabe disso há muito tempo.
Finjo bem na minha cordialidade mansa, de cumprimentos sem maiores contatos, mas com você eu não tenho um pensamento puro. Nem um pra contar história e fingir que sou esse cara bonzinho que algumas línguas nem tão más assim queriam espalhar por aí, só pra acabar de vez com minha reputação. Zero. Nada. É só você atravessar meu caminho sorrindo com a boca, ou com os olhos, que partimos para uma dimensão onde todo mundo some e só sobramos nós. Nós e cada vez menos roupa - que só não some por completo pra podermos ter o que puxar e agarrar frenéticos entre amassos e segundos educados com alguma pretensão de hesitação, logo esquecida, quando a temperatura sobe pra valer. Nesta nossa dimensão não existe nada nem ninguém que nos impeça de qualquer coisa. Te beijo, você me morde. Te derreto na boca e você só pede mais. Rasgamos a noite e atravessamos o dia feito dois animais. Frações de segundo na tarde que cai. Carne e química. Cheiro e pólvora. Inconsequência e impossibilidade. Curvas pêlos cheiros e fluídos proibidos aqui na terra de agora que se encontram e reagem incandescentes quando a gente se encontra quando te vejo passar. Imagino seu outro lado que nesse mundo ninguém conhece. Desvendo a força das suas coxas, o calor de seus contornos e a embriaguez de seus lábios. Rendo minhas orelhas pros seus sussurros, ordens e mordidas.
Com você eu não tenho nenhum pensamento puro. E de algum jeito quando nossos olhos se cruzam, sei que você sabe disso há muito tempo.
quarta-feira, maio 02, 2007
O que vem depois
Por André Debevc
Ele gosta de banheiros grandes e lugares de pé direito alto. Sujeito tranquilo, costuma dizer que luas cheias e noites sem nuvens dão vontade de uivar e lamber uns pescoços e peitos por aí. O jeito que ela o beija quando bebe e o time do Fluminense o tiram do sério, só de que maneiras completamente diferentes. E tem dias, em que gosta de pensar nele mesmo como o espaço que respira entre parênteses – cheio de coisas que se pensam mas não se dizem em voz alta. Beijos, queijos, vinhos e amassos. Bom mesmo é fugir quando a tarde cai, entre gargalhadas e dados, amigos distraídos. Aumentar o calor no quarto, suar no frio. Voltar com a alma lavada, o corpo suado e a cara deslavada de quem ficou nu e sapeca, pelado enchendo a cara do cheiro e das interjeições dela. E morreu pra nascer de novo, alegre na goteira aberta no telhado que cobre penugens claras, beijos curtos de quase adeus e sorrisos longos. Mas ele gosta mesmo é de beijos longos, tirar um ronco na rede depois do almoço, fotos pra lembrar que foi feliz; e de um dia pra guardar pra sempre. Até porque, no seu otimismo quase restaurado, o pra sempre - assim como o futuro – ainda vem por aí.
Ele gosta de banheiros grandes e lugares de pé direito alto. Sujeito tranquilo, costuma dizer que luas cheias e noites sem nuvens dão vontade de uivar e lamber uns pescoços e peitos por aí. O jeito que ela o beija quando bebe e o time do Fluminense o tiram do sério, só de que maneiras completamente diferentes. E tem dias, em que gosta de pensar nele mesmo como o espaço que respira entre parênteses – cheio de coisas que se pensam mas não se dizem em voz alta. Beijos, queijos, vinhos e amassos. Bom mesmo é fugir quando a tarde cai, entre gargalhadas e dados, amigos distraídos. Aumentar o calor no quarto, suar no frio. Voltar com a alma lavada, o corpo suado e a cara deslavada de quem ficou nu e sapeca, pelado enchendo a cara do cheiro e das interjeições dela. E morreu pra nascer de novo, alegre na goteira aberta no telhado que cobre penugens claras, beijos curtos de quase adeus e sorrisos longos. Mas ele gosta mesmo é de beijos longos, tirar um ronco na rede depois do almoço, fotos pra lembrar que foi feliz; e de um dia pra guardar pra sempre. Até porque, no seu otimismo quase restaurado, o pra sempre - assim como o futuro – ainda vem por aí.
Erro do Passado (em apenas 150 toques)
Por André Debevc
O amor por ela era tão grande que a primeira coisa a que renunciou foi ele mesmo. Cúmplice, ela não fez menos: assim que viu, abriu mão dele também.
O amor por ela era tão grande que a primeira coisa a que renunciou foi ele mesmo. Cúmplice, ela não fez menos: assim que viu, abriu mão dele também.
segunda-feira, abril 23, 2007
Hoje não
Por André Debevc
hoje não te vejo não te beijo nem te acordo
hoje não te olho não cheiro nem te encosto
hoje é dia de mãos órfãs braços vazios e boca seca
hoje é noite de rolar quilômetros acordar mil vezes
tatear o vazio onde você dorme toda vez que fecho os olhos
hoje o único sinal de você
é essa dor aguda embaixo de alguma das minhas costelas canhotas.
hoje não te vejo não te beijo nem te acordo
hoje não te olho não cheiro nem te encosto
hoje é dia de mãos órfãs braços vazios e boca seca
hoje é noite de rolar quilômetros acordar mil vezes
tatear o vazio onde você dorme toda vez que fecho os olhos
hoje o único sinal de você
é essa dor aguda embaixo de alguma das minhas costelas canhotas.
Assinar:
Postagens (Atom)